José Santos é estudante na Universidade da Beira Interior (UBI), no curso de Design Multimédia. Embora tenha a Fotografia como hobbie, não põe em causa os resultados práticos comparados com muitos licenciados.
Vemos no José muito daquilo que somos como comunidade. Pelas práticas autodidacta e paixão pela arte.
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“Foi o facto de crescer a ver o meu pai a desenhar que quis seguir Artes e a fotografia…”
Antes de mais, quero agradecer-lhe pela disponibilidade e colaboração com o Enektor. E sem mais demoras, começamos por perguntar: quem é o “rebento de soja”?
Desde já eu é que agradeço por me terem convidado para esta entrevista, confesso que não estava á espera mas dou-vos os parabéns por esta iniciativa.
O rebento de soja é uma mera alcunha que usei para explicar a minha progressão não só fotografia mas como na vida. Sou de Lisboa e já ando por cá há 20 anos, sempre gostei do mundo das artes, fosse qual fosse a vertente artística e o facto de viver em Lisboa facilitou em muito esta minha paixão, pelo facto de ser um grande centro de informação. Foi através de toda esta informação que decidi seguir artes no secundário e mais tarde no ensino superior seguir Design Multimédia na Universidade da Beira Interior.
Decidiu pelo curso de Design Multimédia da UBI. Porque preferiu assim, e não por exemplo Fotografia, visto ser um hobbie já antigo com que se identificava?
No inicio pensei bastante nisso, de tirar um curso de fotografia e fazer dela a minha vida profissional mas pensei que não iria ter grande saída e porque não via o meu trabalho como sendo “bonito”. Na altura em que tinha de escolher que curso iria frequentar pensei então em Design Multimédia que parecendo que não até tem algo a ver com fotografia ou com a sua envolvência. Em design multimédia há o uso das imagens estáticas, em movimento, sonoras ou simplesmente silenciosas e a fotografia pode ser sempre aqui inserida.
O seu trabalho relacionado com Fotografia é bastante admirado. Tenciona solidificar os seus conhecimentos e dedicar-se mais a sério a esta vertente, ou pretende continuar a ver isso como uma “arte de descontracção”?
Eu faço a fotografia como quase que uma “terapia de descontracção”, ajuda me imenso a descontrair mas gostava de aprofundar os meus conhecimentos, dedicar me mais à “minha arte” e partilhá-lo com as pessoas. E tenciono fazê-lo, realizar projectos com pés e cabeça, serem mais concisos.
Como descreve os seus trabalhos em termos gerais? O que procura com eles?
Os meus trabalhos são muito pessoais, transmitem sentimento que encontro na pessoa que foi fotografada, no objecto, na paisagem… por norma são sentimentos que não se encontram logo na imagem, faço fotografia para mexer com as pessoas, são elas que tiram os significados de cada foto que tiro. A minha fotografia tem cores “vintage” quero dizer com isto que têm tons rosas, azuis, verdes e o preto e branco. Porquê estas cores, muito pela minha influencia na fotografia analógica, as cores que ela tem e a expressividade e força que a foto ganha. Mas para te ser sincero, não é que não tenha sido mas ainda estou numa descoberta de que tipo é a minha fotografia porque nem sempre conseguimos realizar o que realmente queremos.
O José é autodidacta. Teve ajuda de alguém, ou relacionou-se com algum projecto para conseguir feedback e ter uma visão mais limpa dos erros?
Fui aperfeiçoando a minha técnica muito por mim próprio mas também com base em fotógrafos que admiro, como Cig Harvey, Bill Phelps, John Dolan e Kalua K Krynska. É através deles que me inspiro por vezes e me dá animo para continuar a fotografia.
Alguma vez questionou se todo esse trabalho valia a pena? Largar a fotografia já foi uma possibilidade real?
Largar mesmo a fotografia não, nunca tive até ao momento essa ideia mas já me questionei bastante em lhe dar um tempo. Já tive fases que o que fazia não me agradava mesmo nada e tive realmente que lhe dar tempo, pensar o que queria fazer mas ao ponto de a deixar mesmo de lado, nunca.
O seu Pai está ligado às artes, também ele como hobbie. Sente que o gosto pelo Desenho e pela Fotografia que trouxe para o seio familiar foi fulcral para hoje o José estar também relacionado?
Sem dúvida. Fui habituado desde pequeno a ver o meu pai a desenhar ao meu lado, ficava bastante tempo a ver o que saia dali. Foi o facto de crescer a ver o meu pai a desenhar que quis seguir Artes e a fotografia porque também ele o fez, muito com carácter familiar é certo mas não menos importante para mim. Mais tarde ele passou-me a sua maquina analógica, a Yashica Electro 35 e começou-me a apoiar, foi desde aí que o meu interesse pela fotografia despertou.
Quais são as suas maiores influências? Artísticas ou não. O que admira nelas?
As minhas maiores influências são como já anteriormente tinha referido Cig Harvey, Bill Phelps, John Dolan e Kalua K Krynska porque são fotógrafos que usam cores fantásticas e fotografam muito à base de pormenores e não num todo. Sem ser nomes que me influenciem tenho a fotografia polaca que me fascina.
Sendo você desde cedo frequentador de exposições artísticas, que importância poderá ter tido hoje? Acha que a Internet seria suficiente?
Não acho que a Internet seja suficiente, aprecio mais um exposição dita “analógica” do que em espaços na Internet. Não quero com isto dizer que dou menos importância, só acho aos meus olhos mais proveitoso uma exposição com os elementos reais à nossa frente. Mas a Internet é uma boa fonte de divulgação de trabalhos sem dúvida.
Já participou em concursos do Expresso e para a Lomografia, tendo sido inclusive seleccionado para a exposição final deste último. É sinal de que se sente preparado para dar o salto, e se dar a conhecer realmente?
Isso é sempre uma incógnita, porque por vezes é mais fácil os outros avaliarem o nosso trabalho do que nós próprios, mas sinto que agora estou melhor preparado para tal, até estou a pensar em organizar um exposição na Covilhã com algumas fotos minhas mas o tempo dirá se será realizável ou não porque isto de ser estudante tem alguns entraves em questões de tempo.
A sua primeira máquina foi uma Yashica Electro 35. Ainda é utilizável ou já só faz parte da decoração?
Nem pensar fazer dela um mero objecto decorativo, dou-lhe bastante uso ainda e nunca me tenciono desfazer dela.
Qual é o material que usa actualmente para as suas fotografias?
Actualmente ao nível analógico uso a Yashica Electro 35 de 35mm e uma Photina Reflex de 120mm, uso uma Nikon D40 digital com uma lente de 18-55mm e uma de 70-300mm, um tripé e um flash Amity.
Acha determinante uma máquina do tipo Reflex ou uma Bridge é suficiente? As Compactas é só para meninos?
Ambas dão para fazer fotografia, o problema digamos assim das compactas é que não tens a opção “M” de manual, enquanto numa Reflex ou Bridge consegues ter esse controlo da máquina, mexendo-lhe na abertura do diafragma, no ISO, no tempo de exposição. Não deixas de tirar boas fotografias com uma compacta até porque hoje em dia há compactas muito boas estás é limitado as opções standard.
Hoje quase todos acabam experimentar Fotografia. Acha que é encarada como uma arte fácil?
Sim hoje toda a gente experimenta a fotografia sendo ela com carácter artístico ou não. Eu acho que não é uma questão de ser fácil ou difícil mas se é representativa ou não. É fácil chegarmos ao pé de uma pessoa ou ao nosso grupo de amigos e tirar uma foto, a questão é se ela “mexe” com os participantes da foto, com próprio fotógrafo e até com pessoas que nada têm a ver com aquele ambiente. Claro que interessam questões técnicas como enquadramentos, luzes, foques e desfoques mas isso tem mais a ver com o espírito do fotógrafo. Eu acho que a fotografia plena é aquela que nos faz reviver o que está retratado nela.
Sente que pela quantidade de artistas focados na perfeição e pelo linear, há necessidade de arriscar e procurar algo mais?
Não sinto muito essa necessidade ainda porque não me considero um fotógrafo profissional, longe disso, sou ainda um amador que procura o seu lugar. Tento como é óbvio melhorar o que faço, torná-lo um pouco mais credível. Vou-me guiando um pouco pelas críticas que vou recebendo dos meus trabalhos.
Não me perdoavam se me despedisse sem antes lhe perguntar. O que pensa sobre projectos como o Enektor? Esteja também a vontade para acrescentar algo que não tenha sido abordado e gostaria de fazer referência.
Não conhecia este projecto mas já andei pelo site e pelo que vi esté bem organizado, tem espaço para troca de conhecimentos, opiniões, críticas e divulgação de trabalhos. Visa a mostra de arte em Portugal algo que me agrada imenso. Dou-vos os meus parabéns e continuem com o bom trabalho, irei registar-me e seguir esta comunidade. Obrigado mais uma vez pelo convite que me fizeram.
José Santos
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Foi com muito gosto que estivemos a conversa com o José Santos. Hoje entrou irremediavelmente para a família Enektor, não tendo duvidas que será também ele, uma boa influência para nós.
Esteja sempre a vontade para pedir mais um copo.
Para quem quiser conhecer melhor o José, deixo abaixo o link para duas galerias:
publicado por oyphis







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